Licença Creative Commons
Todo o conteúdo da Revista Letras Raras está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Notícias

Chamada para a 2ª. edição (2020.2). Dossiê: "Narrativas memoriais e pós-memoriais"

 

Organizadoras:

Conceição Coelho Ferreira (Université Lumière Lyon 2) 
Ilana Heineberg (Université Bordeaux-Montaigne)
Sandra Assunção (Université Paris Nanterre)

A experiência traumática inerente aos movimentos migratórios, processos de descolonização, regimes autoritários e ditatoriais dos séculos XX e XXI tem dado origem a narrativas que buscam reescrever os fatos a partir da memória individual e familiar, respondendo ao chamado de um “dever de memória” (Nora). As narrativas da memória tendem atualmente a se diferenciar do discurso histórico ou até mesmo a substituí-lo, ao propor outras abordagens do passado que assumam uma subjetividade própria e uma perspectiva descentrada.

Mais recentemente, esses mesmos acontecimentos foram reexaminados pela segunda ou terceira geração que viveram indiretamente tais traumas através da mediação de uma narrativa. Nesse sentido, essa memória indireta, que Mariannne Hirsch, ao estudar o Holocausto, qualificou de pós-memória, traduz-se em expressões artísticas que colocam em cena episódios históricos silenciados e por vezes recalcados. A ficção acaba por preencher lacunas deixadas por uma memória coletiva impedida (Ricœur). Por meio de obras de ficção – romanescas, cinematográficas, etc.-, a proposta é de interrogar a memória dolorosa do passado histórico, muitas vezes escamoteado por leituras parciais. As lacunas deixadas pelos testemunhos ou pelos arquivos dão origem ao “mal da verdade"[1] (o mal de vérité a que se refere Catherine Coquio), que exprime uma verdade sempre almejada, mas nunca alcançada.

Régine Robin [2] sublinha que a obras pós-memoriais não buscam resgatar um “passado puro”, intacto, mas, pelo contrário, constituem um espaço transicional em que o passado é revivido e “reexperimentado”. Assim, a segunda geração questiona a versão oficial do passado nacional fazendo emergir narrativas urgentes que fissuram o discurso nacional e requerem novas interpretações à luz de arquivos e da história familiar que, como afirma Margarida Calafate Ribeiro, no tocante à memória da guerra colonial portuguesa, “permanece confinada ao foro privado e incapaz de obter ressonância na esfera da memória pública” [3]. Ao conciliar elementos autobiográficos e ficcionais, além do questionamento metaficcional sobre o próprio contar e a perspectiva narrativa, o recurso ao gênero da autoficção permite, em muitos casos, concretizar a construção dessa nova versão da narrativa. 

 A Revista Letras Raras propõe uma reflexão sobre narrativas memoriais e pós-memoriais, sua presença e suas estratégias, especialmente no âmbito da Península Ibérica, da América Latina e da África lusófona.

Prazo para submissões: 31 de março de 2020.
Publicação: maio de 2020.


[1] Catherine Coquio, Le mal de vérité ou L’utopie de la mémoire, Paris, Armand Colin, 2015.

[2] Régine Robin, “Un passé d’où l’expérience s’est retirée”, Ethnologie française, Presses Universitaires de France, 2007/3, vol. 37, p. 395-400. Acesso e disponibilidade:  https://www.cairn.info/revue-ethnologie-francaise-2007-3-page-395.htm.

[3] Margarida Calafate Ribeiro, António Sousa Ribeiro, “Os netos que Salazar não teve : guerra colonial e memória de segunda geração”, in Abril - Revista do Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana da UFF, Vol. 5, n° 11, Novembro de 2013, p.29.

Em todas as edições, a Revista Letras Raras também acolhe artigos atemáticos, desde que estejam centrados em Língua e/ou Literatura. Recebe também resenhas, entrevistas, traduções e criações literárias como contos, crônicas, poemas, visto ser essa a política deste periódico.

Mais informações: http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR

Para submeter o trabalho o (s) autor(es) deverá (rão) cadastrar-se na plataforma da revista (http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR/user/register), seguindo as orientações da Política Editorial e das Normas de Submissão da revista, encontradas no site.

Obs.: trabalhos enviados fora do prazo de submissão da chamada serão avaliados junto com os outros textos submetidos para a publicação seguinte.

 
Publicado: 2019-12-08 Mais...
 

Chamada para a 3ª. edição (2020.3). Dossiê: "Intermidialidade e referências intermidiáticas"

 

Organizadoras:

Ana Luiza Ramazzina Ghirardi, UNIFESP
Thaïs Flores Nogueira Diniz, UFMG
Irina Rajewsky, Freie Universität, Berlim

O termo intermídia já aparecia nos escritos de Samuel Taylor Coleridge em 1812, para definir obras conceitualmente existentes entre mídias. Dick Higgins retomou o termo em 1965 como um meio de ingresso a obras cujas formas eram pouco familiares aos leitores/espectadores da época: poesias concretas, poesias sonoras, happenings e outras. Somente em 1981 é que o termo intermídia passou a significar, para o próprio Higgins, um modo útil de abordar as novas mídias. Por essa razão podemos dizer que os primeiros movimentos em torno do tema da Intermidialidade surgem no fim dos anos 1980. Porém foi em meados dos anos 1990 que um acalorado debate se instaura entre acadêmicos. Rajewsky (2015) afirma que “o debate sobre intermidialidade se desenvolveu a partir da teoria da intertextualidade” e destaca ainda que “esse procedimento de derivação do termo intermidialidade a partir do termo intertextualidade começa a se impor a partir do início dos anos 1990 e se torna, o mais tardar em 1995, um método muito difundido.” Essa derivação não é sem consequências.

Enquanto a intertextualidade discute a relação entre textos, a intermidialidade analisa fenômenos que acontecem entre as mídias e o processo intermidiático representa um cruzamento de “fronteiras” midiáticas (RAJEWSKY, 2015). Assim, a intermidialidade, como categoria de análise de configurações midiáticas, inclui práticas artísticas e culturais de todo tipo em várias configurações (textos verbais, filmes, performances, pinturas, instalações, HQ, vídeo games, blogs internet, logotipos etc.). A partir dessa definição fundamental, a autora sugere três subcategorias de análise:  transposição midiática (transformação de um “texto” fonte ancorado em uma mídia específica que através de uma transformação midiática gera uma outra mídia); multimidialidade/combinação de mídias (articulação de diferentes formas midiáticas para criar uma nova mídia); e referências intermidiáticas (superação de fronteiras midiáticas ao tematizar, evocar ou imitar elementos ou estruturas de outras mídias). 

Rajewsky (2012) assinala que essa última subcategoria deve ser compreendida “como estratégias de constituição de sentido que contribuem para a significação total do produto: este usa seus próprios meios, seja para se referir a uma obra individual específica produzida em outra mídia, seja para se referir a um subsistema midiático específico, ou a outra mídia como sistema. Esse produto, então, se constitui parcial ou totalmente em relação à obra, sistema ou subsistema a que se refere” (RAJEWSKY, 2012, p. 25).

A Letras Raras convida autores a contribuírem com o dossiê temático, que contempla essa última subcategoria proposta por Rajewsky, a das referências intermidiáticas, mais difícil de ser investigada porém não menos comum entre os produtos existentes, enviando textos originais, cuja abordagem promova a discussão e a investigação desse tipo de relação. 

Prazo para submissões: 31 de maio de 2020.

Publicação: julho de 2020.

Em todas as edições, a Revista Letras Raras também acolhe artigos atemáticos, desde que estejam centrados em Língua e/ou Literatura. Recebe também resenhas, entrevistas, traduções e criações literárias como contos, crônicas, poemas, visto ser essa a política deste periódico.

Mais informações: http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR

Para submeter o trabalho o (s) autor(es) deverá (rão) cadastrar-se na plataforma da revista (http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR/user/register), seguindo as orientações da Política Editorial e das Normas de Submissão da revista, encontradas no site.

Obs.: trabalhos enviados fora do prazo de submissão da chamada serão avaliados junto com os outros textos submetidos para a publicação seguinte.

 
Publicado: 2019-12-08 Mais...
 

Chamada para a 4ª. edição (2020.4). Dossiê: "A última flor do lácio pelo mundo"

 

Organizadoras:

Sílvia Sollai, Florida State University, EUA
Paula Cristina de Paiva Limão, Università degli studi di Perugia, Itália
Lúcia Lovato Leiria, Universidade Federal do Rio Grande, Brasil
Gracieli da Silva Reis Asociación de Profesores de PLE, Perú 

Os versos do poeta brasileiro Olavo Bilac, “Última flor do Lácio, inculta e bela”, sempre chamaram a atenção para a beleza da língua portuguesa, como a última do tronco latino. Língua de ensino em diversos espaços geográficos, ela também tem suas peculiaridades tanto no seu uso, quanto no seu ensino, a depender da realidade na qual está presente.

Evidentemente, não é de hoje que o espaço da língua portuguesa vem ganhando espaço em um âmbito internacional; entretanto, no Brasil, por exemplo, ações como as empreendidas por Programas como o Idiomas sem Fronteiras, por exemplo, colocou a língua portuguesa, enquanto língua estrangeira, na ordem do dia, considerando-a basilar para as finalidades de internacionalização, afinal, não se pode “internacionalizar” por uma via de mão única. É necessário aprender outros idiomas, mas também, faz-se necessário que a nossa língua seja estudada.

Assim, o ensino do PLE (português como língua estrangeira) tem tomado um fôlego significativo no Brasil. Mas, e em outros países de língua portuguesa? e o nos países em que ela não é língua materna, qual é o status de nossa língua, enquanto língua de ensino para estrangeiros? Como o mundo vê essa língua “inculta e bela” flor do Lácio? Tem havido mudanças, quanto ao seu papel, ao longo dos anos? Essas e outras inquietações constituem-se, portanto, em algumas das indagações que instigam este dossiê nomeado A última flor do Lácio pelo mundo.

O intento deste dossiê da Revista Letras Raras é, além de descrever o panorama educacional da cultura lusófona e da língua portuguesa como estrangeira, segunda e de herança, pelo mundo, é também o de partilhar ações sociais e as medidas regionais, estaduais e federais que intervêm além de políticas linguísticas em diferentes países e, sobretudo, conhecer e divulgar a situação do ensino da língua portuguesa no mundo. Para tal, buscaremos trazer ao leitor dados sobre o ensino do português pluricêntrico nos diversos países em que a língua portuguesa é ensinada. Por esse olhar, este dossiê se propõe a promover a discussão sobre o PLE, ressaltando pesquisas em redor do mundo que abordam a questão, de maneira detalhada e por um viés contemporâneo.

 

Prazo para submissões: 31 de agosto de 2020.

Publicação: outubro de 2020


Em todas as edições, a Revista Letras Raras também acolhe artigos atemáticos, desde que estejam centrados em Língua e/ou Literatura. Recebe também resenhas, entrevistas, traduções e criações literárias como contos, crônicas, poemas, visto ser essa a política deste periódico.

Mais informações: http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR

Para submeter o trabalho o (s) autor(es) deverá (rão) cadastrar-se na plataforma da revista (http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR/user/register), seguindo as orientações da Política Editorial e das Normas de Submissão da revista, encontradas no site.

Obs.: trabalhos enviados fora do prazo de submissão da chamada serão avaliados junto com os outros textos submetidos para a publicação seguinte.

 
Publicado: 2019-12-08 Mais...
 
1 a 3 de 3 itens