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Revista Letras Raras

A Revista Letras Raras [RLR] é um periódico acadêmico trimestral criado e dirigido por pesquisadores do Laboratório de Estudos de Letras e Linguagens na Contemporaneidade (LELLC-Grupo de Pesquisa /UFCG/ CNPq), dentre os quais, há professores do Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino da Unidade Acadêmica de Letras, Centro de Humanidades, da Universidade Federal de Campina Grande (CH/UFCG).

Aceita artigos, ensaios e resenhas, poemas, traduções, entrevistas de áreas do conhecimento além de ceder espaço à produção intelectual de acadêmicos de todo o país e do exterior, dede que estejam filiadas à área das Ciências das Linguagens e às suas múltiplas manifestações.

A RLR recebe contribuições em fluxo contínuo, exceto para os dossiês. Nesses casos, sempre haverá data limite para envio das propostas para cada dossiê.

A Revista Letras Raras recebeu Qualis/Capes B1 na área de Letras/ Linguística no quadriênio 2013-2016.

A Revista Letras Raras/ LELLC/ CH /UFCG trabalha com livre acesso a todas as edições e não há nenhum custo financeiro para colaboradores publicarem seus textos.

ISSN: 2317-2347 

 

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Notícias

 

Chamada para a 4ª. edição (2019.4). Dossiê: "Linguagem, rumor, poder"

 

Os acontecimentos da última década, ao redor do mundo, nos trouxeram um retorno a configurações sociais e políticas que muitos já acreditavam devidamente combatidas e satisfatoriamente afastadas do quotidiano das decisões nas democracias contemporâneas. Os fatos hoje mostram que, embora afastadas, crenças e práticas discriminatórias não estavam banidas, mas em estado de brasa dormida, que hoje se converte em incêndios em diferentes regiões.

Um tal “retorno do recalcado” merece a devida análise, assim como os discursos que nos possibilitaram, a partir da segunda metade do Século XX, criticar e desconstruir as arbitrariedades. Em meio a esses discursos, a obra de Roland Barthes permanece com vigor, uma vez que, após o seu conhecido investimento na moda estruturalista e na busca de uma semiologia dos sistemas culturais, fortaleceu seu posicionamento crítico no combate à doxa e à arrogância com que ela se impõe, através de uma atitude pessoal avessa aos militantismos, aos estereótipos e à grandiloquência. Ao contrário, sua preferência pela escritura fragmentária chega a impressionar em um discurso crítico, assim como sua busca obsessiva pelo neutro, ponto inatingível entrevisto nas brechas das linguagens com que lidava em seus textos, como a Canaã que Moisés jamais pisaria.

Vinte anos após alcançar uma grande notoriedade com Mitologias, no qual ele desvela as várias facetas da cultura francesa dos anos 1950, em 1977, ele lança os Fragmentos de um discurso amoroso, que, em plena hegemonia da psicanálise, nos anos libertários pós Maio de 1968, retomavam um discurso esquecido e solitário, que não deixava de dizer respeito às subjetividades de então. Esses dois livros, por tratarem respectivamente de práticas de linguagem (“o mito é uma fala”) centradas na análise social, no primeiro caso, e nas figuras que perpassam o discurso amoroso dos indivíduos não atingiram por acaso o enorme sucesso que tiveram. São livros que permanecem dizendo algo do autor, evidentemente, mas também das sociedades, a despeito das marcas espaciais e temporais, e dos sujeitos. São livros que permitem, sem que se busque uma adesão ou a formação de uma “escola barthesiana”, não só a crítica, mas a avaliação dessa crítica.

Em um prefácio a uma das reedições de Mitologias, Barthes diz: “Se a alienação da sociedade ainda obriga a desmistificar as linguagens (e particularmente a dos mitos), o caminho desse combate não é, já não é, a decifração crítica, é a avaliação.” (BARTHES, 1984, p. 79). E ele completa, nesse texto dos anos 1970, num direcionamento que vai da semiologia às análises de discurso, dizendo que

“[...] não mais apenas mitos, hoje são idioletos que é preciso distinguir, descrever; às mitologias sucederia, mais formal, e por isso mesmo, creio, mais penetrante, uma idioletologia, cujos conceitos operacionais já não seriam o signo, o significante, o significado e a conotação, mas a citação, a referência, o estereótipo.” (Barthes, 1984, p. 79)

É, pois, essa avaliação que se propõe com esse dossiê, para o qual convidamos aqueles que, desejosos de dialogar com a obra de Roland Barthes, não apenas nos dois livros acima mencionados, queiram avaliar dois aspectos principais: 1) Como e com que instrumentos essa obra participou da dialética dos movimentos críticos a partir das últimas décadas do século XX e 2) onde chegamos com esses movimentos críticos e por que eles são, eles mesmos, hoje, objetos da crítica até mesmo de alguns de seus promotores e devedores, como Todorov, Compagnon e Maingueneau.

Nos quase quarenta anos que se seguiram à morte de Barthes, sua obra não deixou de dialogar com sucessivas gerações, tendo hoje maior destaque Eric Marty, Claude Coste, Andy Sttaford ou Tiphaine Samoyault e, no Brasil, além de Leyla Perrone-Moisés e Vera Casa Nova, Cláudia Amigo Pino e Laura Brandini, muitos deles próximos ou participantes do grupo de pesquisa “Escritor plural: estudos pluridisciplinares da obra de Roland Barthes”, liderado por Márcio Venício Barbosa. Esses trabalhos mais recentes nos permitem vislumbrar que, para além dos dois aspectos indicados para a avaliação, podemos também pensar em outras possibilidades para o diálogo com a obra de Barthes, ainda hoje, pois ela mantém, para além do seu sabor inigualável, algo do saber desejado por todo pesquisador.

Organizadores:

Prof. Dr. Márcio Venício Barbosa (UFRN) 
Prof. Dra. Laura Taddei Brandini (UEL)
Prof. Dr. Claude Coste (Niversité Cergy-Pontoise)

Data limite para recebimento dos textos (4ª edição/2019): 20 de setembro de 2019.
Publicação prevista para dezembro de 2019.

Em todas as edições, a Revista Letras Raras também acolhe artigos atemáticos, desde que estejam centrados em Língua e/ou Literatura. Recebe também resenhas, entrevistas, traduções e criações literárias como contos, crônicas, poemas, visto ser essa a política deste periódico.

Mais informações: http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR

Para submeter o trabalho o (um dos) autor(es) deverá cadastrar-se na plataforma da revista (http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR/user/register), seguindo as orientações da Política Editorial e das Normas de Submissão da revista, encontradas no site.

Obs.: trabalhos enviados fora do prazo de submissão da chamada serão avaliados junto com os outros textos submetidos para a publicação seguinte.

 
Publicado: 2019-02-06 Mais...
 
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v. 8, n. 2 (2019): Análise do discurso


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