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Revista Letras Raras

A Revista Letras Raras [RLR] é um periódico acadêmico trimestral criado e dirigido por pesquisadores do Laboratório de Estudos de Letras e Linguagens na Contemporaneidade (LELLC-Grupo de Pesquisa /UFCG/ CNPq), dentre os quais, há professores do Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino da Unidade Acadêmica de Letras, Centro de Humanidades, da Universidade Federal de Campina Grande (CH/UFCG).

Aceita artigos, ensaios e resenhas, poemas, traduções, entrevistas de áreas do conhecimento além de ceder espaço à produção intelectual de acadêmicos de todo o país e do exterior, dede que estejam filiadas à área das Ciências das Linguagens e às suas múltiplas manifestações.

A RLR recebe contribuições em fluxo contínuo, exceto para os dossiês. Nesses casos, sempre haverá data limite para envio das propostas para cada dossiê.

A Revista Letras Raras recebeu Qualis/Capes B1 em Linguística e Literatura.

A Revista Letras Raras/ LELLC/ CH /UFCG trabalha com livre acesso a todas as edições e não há nenhum custo financeiro para colaboradores publicarem seus textos.

ISSN: 2317-2347 

 

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Notícias

 

Chamada para a 2ª. edição (2020.2). Dossiê: "Narrativas memoriais e pós-memoriais"

 

Organizadoras:

Conceição Coelho Ferreira (Université Lumière Lyon 2) 
Ilana Heineberg (Université Bordeaux-Montaigne)
Sandra Assunção (Université Paris Nanterre)

A experiência traumática inerente aos movimentos migratórios, processos de descolonização, regimes autoritários e ditatoriais dos séculos XX e XXI tem dado origem a narrativas que buscam reescrever os fatos a partir da memória individual e familiar, respondendo ao chamado de um “dever de memória” (Nora). As narrativas da memória tendem atualmente a se diferenciar do discurso histórico ou até mesmo a substituí-lo, ao propor outras abordagens do passado que assumam uma subjetividade própria e uma perspectiva descentrada.

Mais recentemente, esses mesmos acontecimentos foram reexaminados pela segunda ou terceira geração que viveram indiretamente tais traumas através da mediação de uma narrativa. Nesse sentido, essa memória indireta, que Mariannne Hirsch, ao estudar o Holocausto, qualificou de pós-memória, traduz-se em expressões artísticas que colocam em cena episódios históricos silenciados e por vezes recalcados. A ficção acaba por preencher lacunas deixadas por uma memória coletiva impedida (Ricœur). Por meio de obras de ficção – romanescas, cinematográficas, etc.-, a proposta é de interrogar a memória dolorosa do passado histórico, muitas vezes escamoteado por leituras parciais. As lacunas deixadas pelos testemunhos ou pelos arquivos dão origem ao “mal da verdade"[1] (o mal de vérité a que se refere Catherine Coquio), que exprime uma verdade sempre almejada, mas nunca alcançada.

Régine Robin [2] sublinha que a obras pós-memoriais não buscam resgatar um “passado puro”, intacto, mas, pelo contrário, constituem um espaço transicional em que o passado é revivido e “reexperimentado”. Assim, a segunda geração questiona a versão oficial do passado nacional fazendo emergir narrativas urgentes que fissuram o discurso nacional e requerem novas interpretações à luz de arquivos e da história familiar que, como afirma Margarida Calafate Ribeiro, no tocante à memória da guerra colonial portuguesa, “permanece confinada ao foro privado e incapaz de obter ressonância na esfera da memória pública” [3]. Ao conciliar elementos autobiográficos e ficcionais, além do questionamento metaficcional sobre o próprio contar e a perspectiva narrativa, o recurso ao gênero da autoficção permite, em muitos casos, concretizar a construção dessa nova versão da narrativa. 

 A Revista Letras Raras propõe uma reflexão sobre narrativas memoriais e pós-memoriais, sua presença e suas estratégias, especialmente no âmbito da Península Ibérica, da América Latina e da África lusófona.

Prazo para submissões: 31 de março de 2020.
Publicação: maio de 2020.


[1] Catherine Coquio, Le mal de vérité ou L’utopie de la mémoire, Paris, Armand Colin, 2015.

[2] Régine Robin, “Un passé d’où l’expérience s’est retirée”, Ethnologie française, Presses Universitaires de France, 2007/3, vol. 37, p. 395-400. Acesso e disponibilidade:  https://www.cairn.info/revue-ethnologie-francaise-2007-3-page-395.htm.

[3] Margarida Calafate Ribeiro, António Sousa Ribeiro, “Os netos que Salazar não teve : guerra colonial e memória de segunda geração”, in Abril - Revista do Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana da UFF, Vol. 5, n° 11, Novembro de 2013, p.29.

Em todas as edições, a Revista Letras Raras também acolhe artigos atemáticos, desde que estejam centrados em Língua e/ou Literatura. Recebe também resenhas, entrevistas, traduções e criações literárias como contos, crônicas, poemas, visto ser essa a política deste periódico.

Mais informações: http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR

Para submeter o trabalho o (s) autor(es) deverá (rão) cadastrar-se na plataforma da revista (http://revistas.ufcg.edu.br/ch/index.php/RLR/user/register), seguindo as orientações da Política Editorial e das Normas de Submissão da revista, encontradas no site.

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Publicado: 2019-12-08 Mais...
 
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