v. 21 (2021)

FEIRA LITERÁRIA DE CAMPINA GRANDE

DOI: http://dx.doi.org/10.35572/rle.v1i1

APRESENTAÇÃO

Desde 2018, ano em que surgiu a Feira Literária de Campina Grande, a Revista Leia Escola propôs uma edição especial dedicada à FLIC, reunindo discussões de cada atividade do evento que enaltece as práticas de leitura literária. Em 2020, chegamos ao terceiro ano desta parceria, que tem rendido excelentes frutos e registrado os encontros e construído parte da memória da feira. Nesta terceira edição da FLIC, que aconteceu virtualmente por causa da pandemia de COVID-19, propomos o tema “Leitura de Todos os Cantos” em mesmo em um ano atípico, foi possível desenvolver o evento e promover os projetos, com o desafio de nos reinventarmos diante das circunstâncias.

Nesse cenário, o nosso tema “Leitura de Todos os Cantos” foi ressignificado. A ideia inicial seria levar a FLIC aos diversos bairros de Campina Grande. Canto, neste caso, assume o sentido geograficamente determinado, seriam os bairros. Infelizmente, não foi possível atingir este objetivo de forma física, no entanto, a representação dos sujeitos de muitos cantos foi festejada. Da mesma forma, foi possível levar o conteúdo da Feira para pessoas de outras cidades e estados que talvez não pudessem vir a Campina Grande em um evento presencial. Outra perspectiva que o tema ganhou, a partir de uma sugestão de Kelly Catão e Alarcon Agra, curadores da FLIC, foi de ampliar o significado de “canto” e pensar nas literaturas que historicamente foram escanteadas, marginalizadas. E ainda, encaminhar a reflexão sobre a dicotomia canto e centro e trazer para o centro aquilo que pode estar no canto. Diante de tantas representações soergueu-se a III FLIC e, ato contínuo, a terceira edição especial da Revista Leia Escola, composta pelos textos que resgatam a fala de seus participantes, seja essa resultante das mesas, dos dialógos poéticos ou ficcionais.

Assim os encontros sobre as literaturas de todos os cantos se organizam nesse volume a partir dos artigos que abrem essa seção. Bruna Gabriela Santiago Silva e Manuela Aguiar Damião de Araújo trazem uma reflexão sobre o SLAM, em  “A poesia não é um luxo: a poética de Jéssica Preta”. As autoras analisam  a contribuição literária da poetisa Jessicallen Oliveira na cidade de Campina Grande – Paraíba e traçam  um paralelo entre a trajetória de vida e militância da autora bem como sua produção poética Para tanto, discutem teoria feminista negra na qual através da interseccionalidade é possível identificarmos como operam  as opressões de raça, classe e gênero na vida das mulheres negras e como estas opressões são denunciadas nas poesias analisadas, agenciam ainda o conceito de escrevivência por compreender que as escritas de vida são pontos centrais nessa  produção.

No artigo seguinte, Andreza Pereira Dias Ramos e Frederico Augusto Garcia Fernandes escrevem sobre “Cooperifa: um Canto de Poesia”, discorrer sobre o trabalho de Sérgio Vaz, relacionando sua atuação como poeta e agitador cultural com o estabelecimento do afeto, e ainda, apresenta a criação da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia) e do Sarau da Cooperifa, levando em consideração também outros projetos organizados pela cooperativa. A reflexão passa, ainda, pelos estudos sobre os saraus literários, pelo conceito de “máquina performática” e pelos questionamentos acerca da importância da literatura, em uma tentativa de entender de que forma corpos, vozes, espaços e palavras se articulam por meio do afeto. Em seguida temos o texto de Alessandra Sampaio expõe sua pesquisa sobre “O Espaço da Literatura de Mulheres Negras na Sala de Aula”que trata a respeito da produção de autoria feminina negra na sala de aula. A autora analisa o processo de silenciamento imposto a essa escrita, os sinais das categorias raça e gênero que ela traz, bem como apresenta as diferenças que essa escrita mostra em relação às obras canônicas, as quais reforçam os preconceitos e estereótipos em sala de aula. Destaca-se a reflexão sobre os textos de mulheres negras, e a importância do uso dessa literatura na sala de aula, pois se trata de relevante instrumento para elevação de autoestima e combate ao preconceito racial e suas consequências na sociedade e na escola, espaço fértil para produção do conhecimento. Da mesa em homenagem aos 100 anos de João Cabral de Melo Neto, surge “Raízes Ibéricas da Poesia de João Cabral de Melo Neto”, de Selma Vasconcelos. A autora apresenta uma reflexão sobre a relação do poeta brasileiro-nordestino João Cabral de Melo Neto com a Espanha em um estudo inicial sobre a influência da literatura e das artes plásticas espanholas na poética de João Cabral De Melo Neto. Trata-se de uma revisão bibliográfica, de análises críticas e de depoimentos do próprio poeta sobre o tema.

Por fim, o artigo “Entre leituras e escritas: movimentos da FLIC na escola”, das professoras Ana Cláudia Soares Pinto e  Nágida Maria da Silva Paiva, trata do projeto Leitura Viva e do livro “Uma história de cada vez e as cores de cada uma”, desenvolvido na escola, em parceria com a FLIC (Feira Literária de Campina Grande), em prol da formação do leitor/autor literário a partir do texto “Das Primeiras Acontecências”, da obra A doida paixão de um doido, do escritor paraibano Geraldo Bernardo. Discute as contribuições do texto literário para a formação do aluno proativo com base no papel humanizador da Literatura e na construção crítica e reflexiva do sujeito por meio da leitura literária. Para tanto, as autoras apresentam fundamentamos em teóricos de formação do leitor literário e o trabalho de valorização da cultura e da arte, especialmente, Candido (2004), Brasil (2018) e Cosson (2012).

Ainda sobre os projetos, foi realizada uma entrevista com os professores Braulio Maciel e João Marcos sobre a experiência com o Leitura Viva nos anos de 2019 e 2020. O SLAM aparece nesta revista também na sessão de impressões literárias, com as poesias de Jéssica e dos três vencedores da Batalha na FLIC: Bixaria, Lucas do Beco e Nêgo Marley. Por fim, fechamos o número com os textos literários de quatro autores lançados pela FLIC 2020: Graziela Bauduco, Paula Valéria Andrade, Wilkens Lennon e Fátima Teles. Além das poesias de SLAM, já citadas. Uma edição rica e diversa como são as revistas Leia Escola e a Feira Literária de Campina Grande.

Vida longa à FLIC!

 

Carla Teíde Araújo Bandeira Mendes
Laura Isabella Ximenes

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