Apresentação

José Hélder Pinheiro Alves, Raquel Beatriz Junqueira, Eliane Santana Debus

Resumo


A poesia infantil surgiu, no Brasil, entre final do século XIX e início do século XX.  Inicialmente, as obras eram mais conhecidas como livros de leitura e eram marcadas pelo viés pedagógico. Isto é, os poemas tinham uma finalidade precípua de ensinar alguma coisa: o amor à pátria, a veneração a Deus, o respeito aos mais velhos, as virtudes cristãs, entre outros ensinamentos (BORDINI. 1986, COELHO, 2000, PONDÉ, 1986). Essa perspectiva revela uma concepção de criança, já bastante enfatizada, como um adulto em miniatura, alguém a ser formado numa determinada perspectiva, num certo modelo fechado.  Não se levava em conta ou não se compreendia, até então, que “a criança tem um modo de perceber o mundo diferente do adulto. Sua percepção é emocional e globalizante; por isso, a poesia em sua linguagem altamente condensada e emotiva, sensibiliza-a de maneira extremamente intensa.” (PONDÉ, p. 1986). 

A partir da década de 1940, sobretudo com o aparecimento de O menino poeta, de Henriqueta Lisboa, uma nova perspectiva para a poesia infantil começou a ser configurada. Mas o ponto alto de nossa poesia infantil  viria, no início da década de 1960, com Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles. O livro eleva e modifica o paradigma de nossa poesia infantil, com um conjunto de poemas que, além de influenciarem dezenas de poetas e poetisas, permanece isolado no que se refere à qualidade estética dos poemas, diversidade de temas e abordagens. A partir da década de 1970 surgiram inúmeras obras de valor estético apresentando um modo diferente de compreender a diversidade do universo infantil.

Mesmo com uma expressiva produção endereçada ao público infantil, observa-se uma grande lacuna nos estudos da poesia destinada aos leitores infantis. Grande parte das  obras que apareceram nos últimos  30 anos permanece  sem uma abordagem crítica que revele e desvele seus valores estéticos, suas abordagens éticas dos temas do mundo da criança e sua compreensão da infância como tempo de leitura. Temos, portanto, um  significativo  material de pesquisa que está solicitando um olhar mais atento de pesquisadores, problema que se pretende enfrentar neste volume de Leia Escola 


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Referências


BOCHECO, Elói E. Poesia infantil: o abraço mágico. Chapecó: ARGOS EDITORA UNIVERSITÁRIA, 2002.

BORDINI, M. da Glória. Poesia infantil. São Paulo. Ática, 1986.

CUNHA, Leo (org). Poesia para crianças: conceitos, tendências e práticas. Porto Alegre: PIÁ, 2012

COELHO, N. Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. 7ª. Ed. São Paulo: Moderna, 2000.

DEBUS, Eliane et. Ali (org) Poesia (cabe) na escola: por uma educação poética. Campina Grande: Editora da UFCG, 2018.

PINHEIRO, Hélder (org). Poemas para crianças: reflexões, experiências, sugestões. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 2000.

PONDÉ, Glória M. Fialho. Poesia para crianças: a mágica da eterna infância. In: KHEDÉ, S. Salomão (org) Literatura infantil: um gênero polêmico. 2ª. Ed Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986.


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