A LOUCURA, O ENGAJAMENTO E O IDEALISMO: UM PARALELO ENTRE POLICARPO QUARESMA E DOM QUIXOTE

Francisco das Chagas Souza COSTA

Resumo


Não obstante o seu caráter, eminentemente metafórico e o seu inevitável compromisso com o imaginário, a natureza mimética da literatura nunca pode ser subestimada. Por isso que se diz que não existe literatura, cabalmente isenta de posições ideológicas. É óbvio que, ao longo da história, uma ou outra obra literária se destaca pelo seu viés ideológico, o que a caracteriza como aquilo que se chama de arte engajada. Nesse sentido, o presente artigo, pretende apresentar uma breve discussão sobre as similaridades ideológicas existentes entre dois personagens da literatura universal: Policarpo Quaresma (da obra Triste Fim de Policarpo Quaresma do escritor Lima Barreto) e Dom Quixote (da obra O engenho fidalgo Dom Quixote de La Mancha do escritor Miguel de Cervantes). Inserido no campo da literatura comparada, o trabalho, ora posto, não se limita a expor coincidências temáticas, formais ou no plano das ideias, mas também reflete sobre uma arte literária que idealiza mudanças reais numa sociedade cheia de desajustes. A visão utópica é tão exacerbada nesses dois personagens aos quais o mundo só poderia impor a pecha de devaneio. A ideia de loucura e/ou idealismo se configuram numa linha muito tênue, quando se analisa o enredo dessas duas figuras. Tentar compreender a realidade e, sobretudo, transformá-la não é tarefa para quem tem bom senso. Ocorre, assim, uma espécie de heroísmo sempre sujeito ao escárnio e à ingratidão. Policarpo Quaresma e Dom Quixote parecem ser uma amostra dessa realidade.
Palavras-chave: Dom Quixote. Engajamento. Idealismo. Loucura. Policarpo Quaresma.


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